Beba com responsabilidade e se beber não dirija.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

5 - Curiosidades Históricas Sobre a Cerveja

Como já vimos em postagens anteriores o surgimento da cerveja se deu de forma acidental e a mesma, logo após a sua descoberta, foi por muitos anos produzida pelas mulheres, porém é creditado aos monges o aprimoramento dessa maravilhosa bebida. 

Você acha que as curiosidades sobre a cerveja acabam por aqui? Não.... abaixo relatamos mais algumas retiradas do Larousse da Cerveja....

- A cerveja foi descoberta antes da invenção da roda, que se deu a 3000 a. C.

- Os sumérios produziam mais de vinte tipos de cerveja, para serem usadas como remédio, para os olhos e para a pele. (Claro... é aquela história de que não existe mulher feia, foi você que bebeu pouco).

- A cerveja era moeda de pagamento de salário entre os povos sumérios. (Nasci na época errada).

- O Código de Hamurábi previa o afogamento do cervejeiro em sua própria bebida, caso ela fosse intragável. (Hahahahaha.... se esse Código fosse aplicado nos dias de hoje no Brasil !!!!!! Ia ter algum cervejeiro boiando nos tanques de fermentação).

- Ainda no Código de Hamurábi outro artigo previa a pena de morte para os sacerdotes encontrados em bares.

- Da mesma forma o Código de Hamurábi determinava que o pagamento pela venda de cerveja não poderia ser em dinheiro, mas apenas em grãos de cereais. (Porque que não nos ensinaram esses detalhes do Código de Hamurábi na faculdade de Direito).

- Para os babilônios o cervejeiro era um homem de reputação, dispensado do serviço militar, sob a condição de suprir os exércitos com sua bebida.

- Nos bordéis babilônicos cada prostituta produzia sua própria cerveja para ser oferecida aos clientes. (Sem comentários).

- Os egípcios também usavam a cerveja para tomar banho, como tratamento para a pele. (Eu também molho meu corpo com cerveja, só que pelo lado de dentro, a não ser quando me babo).

- Os médicos gregos, Pedáneo e Dioscórides, recomendavam a cerveja única e exclusivamente para tratamento médico e afirmavam ter a mesma efeito diurético. (Pra que usar a hidroclorotiazida, vamos beber... cerveja).

- Tito Flávio Domiciano (51-96), imperador romano, tendo em vista o aumento crescente do consumo de cerveja, proibiu o cultivo da vinha em terrenos onde pudessem ser semeados cereais.

- No início da Idade Média a cerveja, produzidas pelas esposas, faziam parte da dieta das famílias, principalmente no desjejum. (Isso que é bonito... família reunida... tomando cerveja tipo refresco.... é a legítima propaganda de margarina medieval).

- O Imperador Carlos Magno (séc. VIII) editou algumas regras relacionadas à administração das terras do Estado, a qual se chamava Capitulare de Villis, e previa no artigo 34 que os administradores das cervejarias deveriam garantir que os funcionários mantivessem suas mãos limpas por questão de higiene.

- Santo Agostinho (354-430) é considerado oficialmente, pela Igreja Católica, o Padroeiro dos Cervejeiros.

- Na Áustria o patrono da cerveja é Santo Adriano (Qualquer semelhança é mera coincidência .... a torcida do Corinthians que o diga.). 

- Santo Arnoldo ou Arnold é o padroeiro dos colhedores de lúpulo.

- Ao Santo Arnulf de Metz (580-640) é creditado o milagre de não deixar esvaziar uma caneca de cerveja que foi servida aos seus seguidores que transportavam seu corpo para ser enterrado em Champigneulles, na Bélgica.  (Digno de beatificação).

- No século XII a cerveja era distribuída gratuitamente e era dada até mesmo às crianças como preventivo ao tifo e a cólera, porque era isenta de contaminação.

- Em Hamburgo, na Alemanha, no ano de 1550, havia aproximadamente 20.000 habitantes e o consumo per capita de cerveja era de 400 litros. (Para se ter uma idéia, hoje na região da Baviera, onde mais se bebe cerveja, o consumo é de 200 litros).

- O estilo de cerveja mais popular nos tempos atuais deve seu nome à cidade de Pilsen, na Boêmia, República Checa. (Viva a Tcheca!!!).

- A cerveja foi introduzida no Brasil pelos holandeses através da Companhia das Índias Orientais, no século XVII.

- Ainda no século XIX, na Região de Meklembourg, Alemanha, era tradição que a recém casada recitasse: “Meu Deus, ajude a cerveja quando eu a produzir, ajude o pão quando eu o amassar”.

- Na colonização da América, como parte da cerimônia de núpcias, as amigas se reuniam com a noiva para preparar uma cerveja especial, conhecida como Bride Ale, que era vendida para arrecadar dinheiro para a noiva.

- Em 1662 o Papa Alexandre VII permitiu a ingestão da cerveja pelos penitentes, decretando que o líquido não quebrava o jejum nos períodos de penitência.          

  
Fontes bibliográficas:


MORADO, Ronaldo. Larousse da Cerveja. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.


quarta-feira, 29 de junho de 2011

4 - Nova Coruja na Toca


Caros amigos leitores do blog Cervejas Especiais, hoje recebi um convite (via facebook) para participar do lançamento da cerveja Coruja Alba Weizenbock, que será nesta quinta-feira (30), onde será estreado o primeiro barril da Alba Weizenbock n'A Toca (Porto Alegre). 

Segundo informações contidas no convite a nova integrante da família Coruja é uma cerveja escura de trigo, estilo pouco fabricada no Brasil. Com 6,8% de teor alcoólico e tom avermelhado, é perfeita para o inverno.

Harmoniza bem com pratos fortes e carnes grelhadas, além de embutidos e carnes de caça. A Toca vai oferecer uma degustação do novo produto para todos os clientes a partir desta quinta-feira até a próxima semana. A nova Coruja também será lançada em garrafas de 600ml na versão pasteurizada.

Estamos ansiosos para a versão engarrafada.

terça-feira, 28 de junho de 2011

3 - Os Monges e a Cerveja

Os monges tem grande importância na produção e aprimoramento da cerveja nos primeiros anos da Idade Média.

Imagem: Cervejas do Mundo
Esse período histórico é caracterizado pela ignorância de sua sociedade, a grande maioria das pessoas daquela época eram analfabetas e fiavam-se em mitos e nos dogmas religiosos, não tinham praticamente conhecimento científico nenhum sobre os acontecimentos ao seu redor.

Nessa sociedade iletrada a Igreja Católica possuía o monopólio da educação e os religiosos eram um dos poucos que sabiam ler e que tinham acesso a livros e documentos sobre os mais variados temas.

Alguns desses religiosos, os monges, viviam de forma reclusa em mosteiros e dedicavam-se mais aos estudos e orações, bem como realizavam compilações de vários documentos e textos históricos.

Os monges, devido à escolha de uma vida dedicada ao sacerdócio, por determinadas épocas do ano prestavam longos períodos de jejum, sendo que nesses dias os mesmos não podiam ingerir nenhum tipo de comida, somente podiam beber líquidos e é nesse instante que esses religiosos tem a idéia de produzirem cerveja para o consumo nos períodos de jejum, eis que dita bebida se assemelhava e muito com o pão, dando sustância suficiente para eles encararem esses longos períodos de reza sem alimentação.

Nesse momento a cerveja e seus métodos de produção passaram a ser estudadas por esses monges que, por viverem em um local repleto de conhecimento e dedicado ao estudo, acabaram por desenvolverem técnicas mais aprimoradas de produção dessa bebida, fato que desencadeou uma grande revolução na produção cervejeira, aumentando significativamente a qualidade dessa bebida.

Com o estudo da cerveja, os monges, começaram a selecionar os produtos que eram adicionados nessa bebida, tornando-a mais agradável de beber e refinando seu sabor.

A partir do século VI, os monastérios iniciaram as primeiras atividades de produção em maior escala da cerveja, através de dois monges irlandeses: Columbano e Galo (depois santificados pela Igreja Católica e conhecidos como São Columbano e São Galo).

Na produção de cerveja os monastérios passaram a ser “suficientemente organizados e neles se desenvolveram receitas particulares, guardadas em segredo” (Larousse da Cerveja). Assim os monges foram os primeiros pesquisadores da cerveja, introduzindo, inclusive, “a idéia de conservação a frio da bebida” (Larousse da Cerveja).

Toda essa dedicação e estudo da cerveja possibilitaram aos monastérios serem as únicas instituições com capacidade para produzirem essa bebida em grande escala e suas cervejas eram destinadas ao consumo dos próprios monges, dos pobres e vendidas aos peregrinos e camponeses da região.

Dita venda da cerveja, auxiliava as abadias e os mosteiros a serem auto-suficientes e se manterem com seus próprios recursos auferidos da venda dessa bebida. Aliás, até os dias de hoje, vários mosteiros sustentam-se através da venda de cerveja.

Além do mais, a produção dessa cerveja de monastérios teve grande importância sanitária para a sociedade da época, eis que a grande maioria da água consumida pelas pessoas, principalmente as de baixa renda, não era potável e acabava por desencadear várias doenças. Percebendo isso os monges incentivavam o consumo da cerveja, que pela fervura do mosto esterilizava-se.  

Imagem: Henrik Boden
Aos monges se deve a introdução do lúpulo à cerveja. Desde a origem da cerveja vários aditivos eram acrescentados na bebida para conferir-lhe aroma e sabor diferenciado, dentre os quais se destacava o mel, a canela, o gengibre e o cravo.

O uso do lúpulo na cerveja data desde o século IX, porém, o primeiro registro escrito da utilização dessa planta na bebida se deu no “livro Physica sive Subtilitatum, da monja beneditina alemã Hildegard von Bingen” (Larousse da Cerveja).

A adoção dessa planta trepadeira, a qual confere amargor e aroma à cerveja, se deu pelo efeito de conservante que a mesma traz a bebida, evitando que a cerveja azedasse durante a fermentação.

Com todo o estudo desenvolvido pelos monges acerca da cerveja, começaram a surgir especialistas na produção desta bebida, os quais cuidavam desde o plantio dos cereais, passando pela fabricação, chegando até a comercialização.
 
Assim, “em 1040, o Mosteiro de Weihenstephan, em Freising, na Alemanha, conseguiu a licença para produzir cerveja comercialmente” (Larousse da Cerveja). Dito mosteiro produz cerveja até hoje, sendo, por esse motivo, considerada a mais antiga cervejaria do mundo em atividade. Aliás, dito mosteiro produz uma cerveja de trigo de excelente qualidade (a qual já tive o privilégio de experimentar), que será, em breve, tema de uma postagem neste blog.

Somente na “Alemanha medieval existiam quase quinhentos mosteiros-cervejarias” (Larousse da Cerveja), nota-se, desta forma, a grande contribuição dada pelos monges na produção e aprimoramento da cerveja.

Hodiernamente alguns mosteiros continuam produzindo cervejas que são muito bem aceitas pelos consumidores, devido a sua excelente qualidade.

Devemos explicar a distinção existente nas cervejas produzidas em monastérios. Essas cervejas, na sua maioria, são denominadas cervejas de abadia, porém existe um grupo especial dessa bebida que recebe o nome de cervejas Trapistas e isto ocorre porque as mesmas são produzidas por um grupo específico de monges, os da Ordem Trapista.

A Ordem Trapista, também conhecida por “Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, é uma congregação católica derivada da Ordem de Císter, do século XII, que segue a regra de São Bento ora et labora (orar e trabalhar). Eles vivem em profundo silêncio e austeridade e passam toda a vida no mesmo mosteiro” (Larousse da Cerveja). O que não deve ser tão difícil, com toda aquela cerveja de qualidade para “jejuar”.

Hoje no mundo existem somente 07 (sete) mosteiros trapistas autorizados pela congregação a produzirem cervejas (que levam o selo da Ordem Trapista), sendo seis localizados na Bélgica e um na Holanda.

Aqui citamos o nome das sete cervejarias Trapistas:

- Na Bélgica:








- Na Holanda:



Porém, segundo informações retiradas do blog da Koloss Bier, recentemente e para a alegria de todos, o número de cervejarias Trapistas aumentou, passando de sete para oito, ou seja, foi lançada no dia 09/06/2011 a oitava cerveja Trapista no mundo. A abadia Trapista francesa de Mont de Cats foi autorizada pela Ordem a produzir cerveja com o selo da congregação.

Assim surge um novo monastério Trapista autorizado a produzir cerveja, porém os mesmos anunciaram que a produção será, inicialmente, realizada no monastério de Chimay na Bélgica (Kollos Bier).

Então, atualizando a lista:


- Na França:



Cabe destacar que existem outros mosteiros que produzem cerveja, porém essas bebidas são chamadas de cervejas de abadia. Desta forma, somente com a autorização da Ordem Trapista é que um determinado mosteiro poderá produzir uma cerveja denominada Trapista.

Amém.


Fontes bibliográficas:


MORADO, Ronaldo. Larousse da Cerveja. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.

Site Cervejas do Mundo: http://www.cervejasdomundo.com/EraMedieval.htm

Site Koloss Bier: http://cervejakoloss.blogspot.com/


terça-feira, 21 de junho de 2011

2 - O Surgimento da Cerveja Pelas Mãos das Mulheres

Conforme abordado em postagem anterior o surgimento de cerveja se deu de forma acidental no momento em que os seres humanos iniciaram as atividades agrícolas de plantio de grãos, ocorrendo neste instante a fixação do homem em um local específico de moradia, terminando uma era de vida nômade.

Porém, sabemos que a fixação do homem à terra se dava em forma de agrupamentos, onde aqueles indivíduos dividiam as tarefas para a subsistência do agrupamento. Enquanto os homens dedicavam-se à caça e à coleta de frutos, bem como à defesa do seu território guerreando com as tribos inimigas, às mulheres cabia desempenhar as atividades ligadas ao plantio de grão e sementes, ou seja, quem iniciou as atividades agrícolas foram as mulheres.

A elas também cabiam realizar atividades de organização das moradias e a produção de alimentos, dentre os quais se destacava a feitura do pão. Assim, como as mulheres desempenhavam a função de plantio e colheita de grãos, bem como a produção de pão, a elas se atribui o desenvolvimento e a produção das primeiras cervejas.

Sim, caro amigo leitor barbado, foram as mulheres que criaram e desenvolveram essa preciosa bebida chamada de CERVEJA.

Somente as mulheres com toda a perspicácia inerente ao ser feminino poderiam ter criado uma bebida tão semelhante a elas e capaz de nos proporcionar alegria e dor de cabeça em uma só noite (hehehe.... brincadeira mulheres, não levem a sério.... xiiiii acho que hoje vou dormir na sala...).

Como já dito, enquanto os homens saiam em busca da caça e para guerrear, as mulheres cuidavam da produção agrária e foram as primeiras a perceberem a possibilidade de criar uma bebida extraída dos cereais que eram colhidos.

A sensibilidade e a inteligência feminina propiciaram o surgimento dessa maravilhosa bebida (... putzzz... não adiantou, vou dormir na sala mesmo...).

De Cervejas do Mundo
Mas voltando ao assunto..., a produção de pão e cerveja são muito semelhantes, utilizando-se praticamente os mesmos ingredientes, logo, as mulheres daquela época “teriam percebido que a massa do pão, quando molhada, fermentava, ficando ainda melhor. Assim teria aparecido uma espécie primitiva de cerveja, como ‘pão líquido’” (Cervejas do Mundo). Desta forma, ratifica-se a tese da criação da cerveja pelas mulheres, que eram as responsáveis pela produção daquele alimento.

A importância da mulher nas primeiras produções cervejeiras é relatada em diversos textos dos sumérios e “revelam-nos também a existência de tabernas, geridas por mulheres, em que se comia e bebia em convívio” (Cervejas do Mundo). “Na Suméria, cerca de 40% da produção dos cereais destinavam-se às cervejarias chamadas ‘casas de cerveja’, mantidas por mulheres” (Brejas).

Não é a toa que a produção cervejeira na Suméria era ofertada, em forma de agradecimento, a uma divindade feminina, e não masculina, conhecida como a deusa Nin-Harra, conforme gravado no Monumento Blau, datado de 4000 a.C. (Larousse da Cerveja).

Da mesma forma, os gauleses (habitantes da Gália, atual França) dedicavam essa preciosa bebida a Deusa de nome Ceres, motivo pelo qual denominaram essa bebida de cerevisia ou cervisia, nome latim de onde deriva a expressão hoje usada por nós: CERVEJA. Note-se que o termo latim cerevisia compõe-se pelo nome da Deusa Ceres e a expressão vis que significa força, ou seja, uma bela simbologia da força de Ceres expressada e uma maravilhosa e até então enigmática bebida.

Em vários lugares da antiguidade as mulheres eram reconhecidas como as legítimas criadoras da cerveja dotadas de poderes quase que divinos, era o que ocorria na Babilônia, onde as Sabtiem (mulheres cervejeiras) tinham muito prestígio social.

Para os vikings somente a mulher podia fabricar cerveja, sendo de propriedade sua todos os equipamentos cervejeiros. Tradição mantida até século XVI, na região do norte da Alemanha, onde os utensílios para a fabricação de cerveja faziam parte integrante do enxoval da noiva.

O domínio feminino na produção de cerveja entrou em declínio no século XVIII, quando os homens despertaram interesse na produção em larga escala e na criação de grandes conglomerados cervejeiros, com o intuito de comercialização em massa desse produto.

Felizmente, nos dias atuais, as mulheres estão gradativamente retomando o seu espaço na produção e apreciação de cervejas especiais. Para comprovar tal fato clique e assista o vídeo abaixo.  



Para demonstrar que as mulheres estão tomando conta e dominando o assunto recomendamos o acesso aos links da CONFECE a Confraria Feminina de Cerveja e da FEMALE CARIOCA ....  eu disse... elas vão dominar o mundo.

Cheers.


Fontes bibliográficas:



MORADO, Ronaldo. Larousse da Cerveja. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.


sábado, 18 de junho de 2011

1 - Origem da Cerveja

Como postagem introdutória do presente blog entendemos ser fundamental relatar alguns traços acerca da história da cerveja e seu surgimento. O texto que segue abaixo foi elaborado com base em pesquisa em uma das obras mais completas referente a bebida cerveja e com certeza a mais completa já lançada aqui no Brasil, trata-se do LAROUSSE da CERVEJA, obra de autoria do pesquisador Ronaldo Morado, editado em São Paulo pela Larousse do Brasil, sendo o meu exemplar do ano de 2009 (ISBN 978-85-7635-394-2). Aliás, dita obra é peça obrigatória na biblioteca de qualquer amante de cervejas.

Então com base no Larousse há entendimentos de que a cerveja tenha sido criada de forma acidental por volta do ano de 9000 a.C. (antes de Cristo), no mesmo momento em que o ser humano inicia o desenvolvimento de campos de cultura de cereais na região da Ásia Ocidental, eis que muito provavelmente em certa ocasião esses agricultores tenham armazenado a produção de cevada e/ou trigo em vasos de cerâmica. Ditos recipientes ao ficarem expostos a chuva teriam umedecido os grãos que germinaram, transformando-se, no caso da cevada, em malte. Ao perceberem que ditos cereais encontravam-se molhados os agricultores os colocaram para secar. Os grãos secos podem ter sido vítima de nova chuva que acabou criando um caldo que atacado por micro-organismos existentes no ar (leveduras) fermentaram e transformaram o açúcar contido nos cereais em álcool e gás carbônico, surgindo de forma espontânea e por acidente a bebida mais popular de todos os tempos no mundo: a CERVEJA.

Porém os primeiros registros sobre a cerveja são oriundos da região Mesopotâmica, o qual cita-se a peça suméria denominada Monumento Blau, datada de 4000 a.C., que mostrava a cerveja sendo oferecida à deusa Nin-Harra.

Ainda conforme descrito no Larousse da Cerveja, existem indícios de que a fabricação de cerveja para consumo geral da população (de forma comercial e não mais artesanal) iniciou-se ainda com a construção das primeiras cidades, por volta de 6000 a.C. Porém o mais antigo registro encontrado sobre uma cervejaria remonta ao ano de 3400 a.C. na cidade de Tebas (Egito). E, também nas terras dos faraós, porém na cidade de Pelesium (atual Port-Said) estabeleceu-se o primeiro grande centro produtor de cerveja da história.

Pela mão dos povos da Ásia Ocidental, dos Sumérios, dos Babilônios, dos Mesopotâmios, dos Egípcios a cerveja difundiu-se pelas regiões da atual Europa, Ásia, norte da África e Oriente Médio. Cada um desses povos alternaram-se no poder e domínio dessas regiões e com isso influenciavam os costumes dos seus dominados, inserindo na dieta dos mesmos o apreço a cerveja. Em pouco tempo essa bebida tornou-se popular perante todas as classes sociais da época.

Mas com a influência dos gregos no mundo egípcio, os quais eram grandes produtores e apreciadores de vinho, e mais tarde dos romanos, a cerveja perde um pouco de sua popularidade entre as classes mais abastadas, acabando por tornar-se uma bebida das classes mais pobres e dos bárbaros como eram conhecidos os estrangeiros. Da mesma forma, a utilização do vinho em rituais religiosos, bem como a sua vinculação ao sangue de Cristo, pela religião Católica, acabaram por repassar ao vinho o status de uma bebida mais requintada, sofisticada, a qual deve ser degustada e apreciada com pratos específicos, porém nós sabemos que isso não é verdade, prova disso é a existência das cervejas especiais que também são bebidas diferenciadas que podem ser degustadas e apreciadas nas mais diversas ocasiões e com um poder de combinação com os mais variados tipos de comida existente.

Em homenagem a minha esposa:  na zdrowie.

Para quem tiver mais interesse sobre a história da cerveja recomendo assistirem os vídeos abaixo postados no youtube que relatam a História da Cerveja na América.






quarta-feira, 15 de junho de 2011

Primeira Postagem

Olá prezados amigos amantes de cervejas especiais! Estou iniciando este blog com o objetivo de postar algumas matérias e comentários a respeito de cervejas, preferencialmente de cervejas especiais. De início devo me apresentar, meu nome é Lucas, sou advogado, morador da cidade de Getúlio Vargas/RS (cidade origem da cerveja Serramalte, embora dita cervejaria esteja fechada), sou, ainda, um apreciador (amador) de cervejas.
Como dito não sou especialista em cervejas, nem mestre cervejeiro, sou apenas um consumidor exigente que estava cansado de beber cervejas comuns e de larga escala de produção que se encontram em nosso comércio.
O objetivo deste blog é relatar notícias sobre cervejas especiais, falar sobre algumas cervejas diferenciadas que já experimentei, bem como postar fotos das cervejas já degustadas e das que virão a ser.

Eu gosto de diferenciar as expressões cervejas especiais de cervejas artesanais e de cervejas caseiras (homebrew). Não sei se faço dita diferenciação de forma correta, porém nas postagens que virão será utilizada a expressão cervejas especiais para aquelas produzidas de forma diferenciada e destinada a um público apreciador, ao contrário das cervejas produzidas para o consumo em grande escala. Podendo ser produzida por grandes, médias, pequenas e micro cervejarias, bem como por mosteiros e até mesmo produzidas em casa. Assim, as cervejas especiais são o gênero na qual pode-se englobar as cervejas artesanais e as caseiras.
Já as cervejas artesanais, dentro dos meus conceitos, são aquelas produzidas por pequenas e micro cervejarias, por PUB(s), ou por aquelas empresas de caráter familiar, onde a receita da cerveja é passada de pai para filho e a família começa a produzir e vender em pequena escala. Por serem cervejas artesanais não deixam de ser especiais.
As cervejas caseiras, com o próprio nome sugere, são fabricadas em casa, seja por amadores ou mestres cervejeiros, porém são aquelas destinadas para um pequeníssimo grupo de consumidores, geralmente os familiares e amigos do produtor, logo, não possuem caráter comercial, ou seja, não são feitas para serem vendidas. Nos países de língua inglesa o ato de produzir cerveja caseira recebe o nome de homebrew.  

Ahhh.... Estou me preparando (e convencendo a esposa) para iniciar minha própria produção de cerveja caseira. Estou lendo várias matérias sobre homebrew....... aos poucos vou postá-las aqui no blog, bem como indicar outros blogs e páginas na internet acerca do assunto.