Beba com responsabilidade e se beber não dirija.

terça-feira, 28 de junho de 2011

3 - Os Monges e a Cerveja

Os monges tem grande importância na produção e aprimoramento da cerveja nos primeiros anos da Idade Média.

Imagem: Cervejas do Mundo
Esse período histórico é caracterizado pela ignorância de sua sociedade, a grande maioria das pessoas daquela época eram analfabetas e fiavam-se em mitos e nos dogmas religiosos, não tinham praticamente conhecimento científico nenhum sobre os acontecimentos ao seu redor.

Nessa sociedade iletrada a Igreja Católica possuía o monopólio da educação e os religiosos eram um dos poucos que sabiam ler e que tinham acesso a livros e documentos sobre os mais variados temas.

Alguns desses religiosos, os monges, viviam de forma reclusa em mosteiros e dedicavam-se mais aos estudos e orações, bem como realizavam compilações de vários documentos e textos históricos.

Os monges, devido à escolha de uma vida dedicada ao sacerdócio, por determinadas épocas do ano prestavam longos períodos de jejum, sendo que nesses dias os mesmos não podiam ingerir nenhum tipo de comida, somente podiam beber líquidos e é nesse instante que esses religiosos tem a idéia de produzirem cerveja para o consumo nos períodos de jejum, eis que dita bebida se assemelhava e muito com o pão, dando sustância suficiente para eles encararem esses longos períodos de reza sem alimentação.

Nesse momento a cerveja e seus métodos de produção passaram a ser estudadas por esses monges que, por viverem em um local repleto de conhecimento e dedicado ao estudo, acabaram por desenvolverem técnicas mais aprimoradas de produção dessa bebida, fato que desencadeou uma grande revolução na produção cervejeira, aumentando significativamente a qualidade dessa bebida.

Com o estudo da cerveja, os monges, começaram a selecionar os produtos que eram adicionados nessa bebida, tornando-a mais agradável de beber e refinando seu sabor.

A partir do século VI, os monastérios iniciaram as primeiras atividades de produção em maior escala da cerveja, através de dois monges irlandeses: Columbano e Galo (depois santificados pela Igreja Católica e conhecidos como São Columbano e São Galo).

Na produção de cerveja os monastérios passaram a ser “suficientemente organizados e neles se desenvolveram receitas particulares, guardadas em segredo” (Larousse da Cerveja). Assim os monges foram os primeiros pesquisadores da cerveja, introduzindo, inclusive, “a idéia de conservação a frio da bebida” (Larousse da Cerveja).

Toda essa dedicação e estudo da cerveja possibilitaram aos monastérios serem as únicas instituições com capacidade para produzirem essa bebida em grande escala e suas cervejas eram destinadas ao consumo dos próprios monges, dos pobres e vendidas aos peregrinos e camponeses da região.

Dita venda da cerveja, auxiliava as abadias e os mosteiros a serem auto-suficientes e se manterem com seus próprios recursos auferidos da venda dessa bebida. Aliás, até os dias de hoje, vários mosteiros sustentam-se através da venda de cerveja.

Além do mais, a produção dessa cerveja de monastérios teve grande importância sanitária para a sociedade da época, eis que a grande maioria da água consumida pelas pessoas, principalmente as de baixa renda, não era potável e acabava por desencadear várias doenças. Percebendo isso os monges incentivavam o consumo da cerveja, que pela fervura do mosto esterilizava-se.  

Imagem: Henrik Boden
Aos monges se deve a introdução do lúpulo à cerveja. Desde a origem da cerveja vários aditivos eram acrescentados na bebida para conferir-lhe aroma e sabor diferenciado, dentre os quais se destacava o mel, a canela, o gengibre e o cravo.

O uso do lúpulo na cerveja data desde o século IX, porém, o primeiro registro escrito da utilização dessa planta na bebida se deu no “livro Physica sive Subtilitatum, da monja beneditina alemã Hildegard von Bingen” (Larousse da Cerveja).

A adoção dessa planta trepadeira, a qual confere amargor e aroma à cerveja, se deu pelo efeito de conservante que a mesma traz a bebida, evitando que a cerveja azedasse durante a fermentação.

Com todo o estudo desenvolvido pelos monges acerca da cerveja, começaram a surgir especialistas na produção desta bebida, os quais cuidavam desde o plantio dos cereais, passando pela fabricação, chegando até a comercialização.
 
Assim, “em 1040, o Mosteiro de Weihenstephan, em Freising, na Alemanha, conseguiu a licença para produzir cerveja comercialmente” (Larousse da Cerveja). Dito mosteiro produz cerveja até hoje, sendo, por esse motivo, considerada a mais antiga cervejaria do mundo em atividade. Aliás, dito mosteiro produz uma cerveja de trigo de excelente qualidade (a qual já tive o privilégio de experimentar), que será, em breve, tema de uma postagem neste blog.

Somente na “Alemanha medieval existiam quase quinhentos mosteiros-cervejarias” (Larousse da Cerveja), nota-se, desta forma, a grande contribuição dada pelos monges na produção e aprimoramento da cerveja.

Hodiernamente alguns mosteiros continuam produzindo cervejas que são muito bem aceitas pelos consumidores, devido a sua excelente qualidade.

Devemos explicar a distinção existente nas cervejas produzidas em monastérios. Essas cervejas, na sua maioria, são denominadas cervejas de abadia, porém existe um grupo especial dessa bebida que recebe o nome de cervejas Trapistas e isto ocorre porque as mesmas são produzidas por um grupo específico de monges, os da Ordem Trapista.

A Ordem Trapista, também conhecida por “Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, é uma congregação católica derivada da Ordem de Císter, do século XII, que segue a regra de São Bento ora et labora (orar e trabalhar). Eles vivem em profundo silêncio e austeridade e passam toda a vida no mesmo mosteiro” (Larousse da Cerveja). O que não deve ser tão difícil, com toda aquela cerveja de qualidade para “jejuar”.

Hoje no mundo existem somente 07 (sete) mosteiros trapistas autorizados pela congregação a produzirem cervejas (que levam o selo da Ordem Trapista), sendo seis localizados na Bélgica e um na Holanda.

Aqui citamos o nome das sete cervejarias Trapistas:

- Na Bélgica:








- Na Holanda:



Porém, segundo informações retiradas do blog da Koloss Bier, recentemente e para a alegria de todos, o número de cervejarias Trapistas aumentou, passando de sete para oito, ou seja, foi lançada no dia 09/06/2011 a oitava cerveja Trapista no mundo. A abadia Trapista francesa de Mont de Cats foi autorizada pela Ordem a produzir cerveja com o selo da congregação.

Assim surge um novo monastério Trapista autorizado a produzir cerveja, porém os mesmos anunciaram que a produção será, inicialmente, realizada no monastério de Chimay na Bélgica (Kollos Bier).

Então, atualizando a lista:


- Na França:



Cabe destacar que existem outros mosteiros que produzem cerveja, porém essas bebidas são chamadas de cervejas de abadia. Desta forma, somente com a autorização da Ordem Trapista é que um determinado mosteiro poderá produzir uma cerveja denominada Trapista.

Amém.


Fontes bibliográficas:


MORADO, Ronaldo. Larousse da Cerveja. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009.

Site Cervejas do Mundo: http://www.cervejasdomundo.com/EraMedieval.htm

Site Koloss Bier: http://cervejakoloss.blogspot.com/


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